Rio e Santiago - Réplicas do terremoto de 8,8 graus na escala Richter que atingiu o Chile sábado continuaram apavorando o país ontem. Enquanto isto, também nesta quinta-feira de manhã, cariocas que escaparam do cenário de destruição do país conseguiram voltar ao Rio em voos comerciais. O desembarque foi marcado por reencontros emocionados entre viajantes e parentes.
O primeiro voo comercial vindo do Chile para o Rio após a tragédia chegou quase duas horas depois do previsto, mas o atraso não chateou quem esperava há cinco dias por um abraço. “A gente fica com o coração na mão, só pensa em ver e abraçar quem a gente ama. Meu marido estava indo para o aeroporto de Santiago pegar o voo de volta quando aconteceram os primeiros tremores, e ficou preso lá. Graças a Deus ele conseguiu entrar nesse primeiro voo”, contou a empresária Solange Veiga, 44, que recebeu no Aeroporto Internacional do Rio o marido, Edvan Pacheco Veiga, 44, com o filho Victor Veiga, 17, e a sogra.
SEM ÁGUA E LUZ
“Em Santiago, não</IP> houve muito dano, mas ficamos sem água ou luz e o prédio vibrou muito. Foi uma situação muito difícil, que não desejo a ninguém”, disse Edvan, que teve que mudar de quarto e viu a piscina do hotel em que estava hospedado rachar. Segundo ele, alguns brasileiros chegaram a desembolsar até R$ 12 mil por vagas em jatinhos privados.
Quem também esperava ansiosamente no Galeão ontem era a técnica em eletrônica Claudia Leite Monteiro, 44, e o empresário Mario Antônio Souza Santos, 45. Seus filhos, Isis e Rômulo Monteiro Santos, de 16 e 17 anos, voltavam de intercâmbio na Austrália quando fizeram escala para abastecer na capital chilena, sábado. Por conta dos tremores, os jovens ficaram sozinhos e quase sem nenhum dinheiro.
“Estava muito frio, só pensávamos em voltar pra casa”, disse Rômulo. “Agora que a gente já está perto da família, dá para respirar tranquilo de novo”, concordou Isis. Muito emocionada com o retorno, em segurança, dos dois filhos, Claudia só pensava no que prepararia para o jantar. “Eles precisam é de arroz e feijão. Agora que tenho eles comigo, é só alegria”, disse Claudia.
O número de mortos na tragédia do Chile chegou ontem a 802. O dia foi marcado pelo desespero provocado por tremores secundários, de 5,9 e 6,0 graus. Um alerta de tsunami causou a fuga desesperada de chilenos para áreas altas de toda a costa do país, mas foi cancelado após 20 minutos.
O clima de pavor tomou conta da cidade justamente quando soldados enviados pelo governo finalmente pareciam ter restaurado um certo clima de normalidade em Concepción, a segunda cidade do Chile, onde houve vários saques e foi imposto toque de recolher.
Também ontem, dois aviões (C-130) e dois helicópteros (H-60) da Força Aérea Brasileira (FAB) partiram em direção ao Chile, levando militares e equipamentos, como um Hospital de Campanha da Aeronáutica. Na volta, trarão brasileiros.
Fonte: O Dia