Brasília - Um dos protagonistas das cenas conhecidas como oração da propina, no escândalo do Mensalão do DEM do Distrito Federal (DF), o deputado distrital Júnior Brunelli (PSC) renunciou ontem ao mandato para evitar o risco de ser cassado por quebra de decoro. Ele era alvo de processo na Comissão de Ética da Câmara Legislativa e, caso fosse cassado, ficaria inelegível.
Com a renúncia, o processo contra Brunelli será arquivado. Ele foi o segundo deputado distrital a se afastar do cargo por envolvimento na Operação Caixa de Pandora, esquema de distribuição de propinas investigado pela Polícia Federal no governo do DF. Na sexta-feira, Leonardo Prudente, ex-presidente da Câmara Legislativa, que aparece em vídeos guardando dinheiro nas meias, já havia renunciado.
Prudente também participou da oração da propina. Nas cenas, ele e Brunelli oram pela vida do ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa, delator do esquema e que seria o responsável por distribuir propinas para assessores, secretários de governo e deputados. O esquema, de acordo com a PF, seria comandado pelo governador licenciado, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), que está preso por obstrução das investigações.
Em sua carta de renúncia, Brunelli diz que foi “vítima de conspiração política”. Ele alegou que a chamada oração da propina “não passou de uma manipulação grosseira”. Com as renúncias, Brunelli e Prudente podem disputar a reeleição em outubro. Além dos dois, a Câmara Legislativa abriu processo ainda contra Eurides Brito (PMDB), que também aparece em vídeo guardando maços de dinheiro. Ela porém garantiu que não vai renunciar ao cargo.
Fonte: O Dia