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Terremoto no Chile atinge 2 milhões de pessoas e mata pelo menos 300

28-02-2010

Santiago, Chile - Um terremoto de 8,8 graus na escala Richter atingiu a região Centro-Sul do Chile na madrugada de sábado causando morte e devastação em diversas regiões do país. Até o início da madrugada de domingo, o número oficial de mortos passava dos 300, sem registro de brasileiros entre as vítimas. A presidente do país, Michele Bachelet, estimou que o abalo afetou cerca de 2 milhões de pessoas.

Mulher chora ao caminhar em estrada e constatar a destruição provocada pelo terremoto em Santiago do Chile | Foto: EFE

O tremor, cujo epicentro localizou-se no fundo do Oceano Pacífico, teve reflexos em outras partes do planeta. Pelo menos 53 países na área do Pacífico estavam em alerta para a possível formação de tsunamis (ondas gigantes). No Brasil, o abalo chegou a São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No norte da Argentina, o tremor chegou a 6,1 graus e matou mais duas pessoas.

O terremoto aconteceu às 3h34 de sábado, e durou aproximadamente um minuto e trinta segundos. O epicentro aconteceu no mar a 35 km de profundidade, nas proximidades da localidade de Cauquenes, a cerca de 500 quilômetros da capital Santiago, uma das regiões afetadas. A cidade de Concepción, segunda mais populosa do Chile, foi a mais atingida. Diversos prédios ruíram, pontes e passarelas desabaram e focos de incêndio se propagaram em diferentes pontos. Hospitais, supermercados e edificações históricas também sofreram danos.

Pelo menos outras dez cidades, em seis regiões do Chile, sofreram grandes danos. Após o primeiro tremor, sismógrafos registraram mais 58 outros com intensidades menores. Ilhas, como a Robinson Crusoé, e vilarejos no litoral foram arrasadas por fortes ondas. Na cidade de Chilan, que fica na região de Bío-Bío, 400 detentos fugiram de um presídio cujos muros desabaram. No esporte, o amistoso entre a seleção chilena e a da Coreia do Norte, que seria realizado quarta-feira em Santiago, foi cancelado.


Moradora de uma vila de pescadores em Bucalemu, a chilena Ermelinda Paredes, 34 anos, relatou a parentes no Brasil os momentos de horror: “Foi terrível, tudo sacudia e parecia não ter fim. Depois o mar destruiu tudo, um tsunami acabou com a vila. Só sobraram destroços”. Em Salta, na Argentina, uma criança de 8 anos e um homem de 58 morreram em desabamentos provocados pelo tremor.

A presidente do Chile, Michele Bachelet, decretou estado de catástrofe. Através do ministério das Relações Exteriores, o presidente Lula manifestou consternação e preocupação com o impacto dos abalos sísmicos e ofereceu ajuda. O presidente da Assembleia Geral da ONU, o líbio Ali Treki, pediu à comunidade internacional “todos os esforços possíveis para ajudar com urgência o Chile após a catástrofe”. O presidente americano Barack Obama também se dispôs a ajudar. Segundo sismólogos, o tremor que sacudiu o Chile foi 32 vezes mais intenso que o abalo sísmico que matou cerca de 75 mil pessoas no Haiti, em janeiro.

O tremor foi o segundo maior do país e o quinto da História. O mais intenso de todos foi também no Chile, em 1960, de 9,5 e que matou mais de 5 mil pessoas lá e 140 no Japão. O segundo mais forte foi registrado no Alasca, em 1964 (9,2 graus); seguido de Sumatra, Indonésia, em 2004 (9,1 graus); Kamchatka, Rússia, em 1952, (9 graus).

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O terremoto causou um colapso no sistema de comunicações chileno. As redes de telefonia móvel e fixa permaneceram sem sinal durante todo o sábado. Aeroportos foram fechados. Voos com destino a Santiago foram cancelados até segunda-feira, quando o aeroporto da capital deverá ser reaberto. O fornecimento de luz e água foi interrompido. Quem estava fora do país ficou sem notícias de familiares e amigos. O chileno Bernardo Alonso, 37, que passa férias no Rio, só conseguiu falar com um sobrinho no fim da tarde de sábado. “Estava angustiado, tenho familiares em cidade que foram muito atingidas. Meu sobrinho contou que o clima no Chile é de pânico. Eu já vivi alguns tremores bem menos intensos e sei a sensação horrível que é. Ainda tenho amigos que não foram localizados”, disse ele, mostrando aflição.

Igor Rojas Ramirez, 24, chegou ao Rio com um grupo de amigos chilenos segunda-feira. Ele está hospedado em um albergue em Copacabana e soube da tragédia na madrugada, depois de chegar de uma festa. “Estou chocado. Tenho tios, primas em Concepción, de quem não temos notícias”, disse, consternado. Ramirez conseguiu contatar a família em Santiago através de mensagem de um site de relacionamentos na internet. Um amigo o avisou que estava tudo bem com os pais dele.

O ministério das Relações Exteriores do Brasil disponibilizou telefones para informações sobre brasileiros no Chile. Os números são: (61) 3411 8804/ e 3411 8805, entre 10h e 18h, (61) 8197.2284, entre 18h e 10h. Para saber de chilenos lá ligue para o consulado em (21) 3579-9658/9660/9761/9762.

Fonte: O Dia


 
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