POR MARIA LUISA BARROS
Rio - Jovens viciados em videogames poderão largar na frente na corrida pela Carteira Nacional de Habilitação. Pelos planos do governo, autoescolas terão que adotar simuladores para que alunos possam testar em ambiente virtual os riscos que encontrarão nas aulas práticas de direção. Os games reproduzem situações reais como neblina, ruas esburacadas, pistas molhadas, derrapagens e até blitzes da Lei Seca.
O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) pagou R$ 650 mil à Universidade Federal de Santa Catarina para ela desenvolver três modelos que deverão chegar ao mercado só no ano que vem. Os valores podem alcançar R$ 20 mil. O que o governo não sabe é que o Rio já tem o produto pronto e pela metade do preço.
O projeto Serious Game foi desenvolvido pela empresa carioca Technology and Trainning (T&T), em parceria com o Instituto da Computação da Universidade Federal Fluminense, e com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro.
“Vamos levar o produto até o Denatran. Eles não precisam pagar nada. Nosso software já foi financiado”, diz Cristina Araújo, coordenadora de projeto da T&T. O simulador carioca será lançado mês que vem e já pode ser utilizado por empresas para reciclar motoristas, nas autoescolas e até nos cursos do Detran para renovar a carteira de motorista.
Em outro trecho, o motorista virtual é surpreendido pela tela, que escurece de repente. É como se ele tivesse dormido ao volante. Na terceira fase, a mais difícil, o motorista está embriagado. A tela perde a nitidez e os comandos demoram a responder. Em vez de ser multado, a punição na tela é a perda de tempo. Se atropelar pedestre, então, é “game over” na hora. (fim de jogo).
A pessoa que passa por todas as etapas do game acaba incorporando as atitudes na sua vida real. “De tanto vivenciar situações de perigo no jogo, automaticamente o motorista passará a dirigir com cuidado”, diz Cristina, lembrando que os simuladores são usados por pilotos de avião antes de voar.
Games na luta contra mortes por acidentes
Os simuladores de direção devem frear acidentes no trânsito. Por hora, quatro pessoas morrem em acidentes no Brasil. Quase cem por dia. O Denatran estima em 32 mil o número de mortos em 2009 — 41% deles apenas na Região Sudeste.
A conta pode ser bem maior. Com base nos pedidos de indenização do DPVAT, o seguro obrigatório pago a vítimas de trânsito, a quantidade de óbitos chega a 62 mil por ano no trânsito brasileiro. Um ano e meio após entrar em vigor, a Lei Seca reduziu em 30% o número de mortos e feridos no trânsito do Rio. Foram 3,7 mil vítimas a menos em 2009.
As cinco principais causas da matança sobre rodas, apontadas por pesquisadores e órgãos públicos, são: a ingestão de álcool, cansaço ao volante, desrespeito à sinalização, imprudência, excesso de velocidade, impunidade e falta de fiscalização.
Aulas de direção terão que ser dadas durante a noite
Mudanças à vista no Código de Trânsito Brasileiro. Este ano, para tirar a carteira, candidatos terão que fazer aulas noturnas de direção. O projeto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e seguirá para sanção do presidente Lula. Pela proposta, parte da aprendizagem terá de ocorrer durante a noite. Resolução do Contran já determina que o candidato deve realizar aulas em condições climáticas adversas, como chuva, frio e nevoeiro. Mas na prática, não é o que acontece.
Fonte: O Dia