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Draco investiga máfia das vagas

21-01-2010

POR PAULA SARAPU

Rio - A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco/IE) vai investigar as denúncias de que milicianos estariam ameaçando e expulsando guardadores de carros de seus locais de trabalho. Desde segunda-feira, O DIA vem mostrando os relatos de flanelinhas cadastrados pela CET-Rio em várias regiões, como Jacarepaguá e Centro, que estão sob a mira de grupos paramilitares. A Embrapark, que explora o estacionamento na Zona Sul, precisou contratar seguranças para proteger seus funcionários

Ontem, feriado de praias lotadas, os flanelinhas que não são legalizados, mas exploram vagas em ruas próximas às praias da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes, também reclamaram de ameaças e extorsão. Para trabalhar nos fins de semana e feriados, eles precisam dar pelo menos R$ 10 aos grupos paramilitares. Guardadores que usam terrenos como estacionamento de carros são obrigados a pagar R$ 20.

“Eles tomam o dinheiro das nossas mãos. Para ficar aqui,tem que pagar. Já quase perdi dinheiro até para policial
militar fardado. Há uns 15 dias, uma viatura passou no meu ponto e o PM perguntou: ‘Cadê minha grana?’. Comecei a falar alto e a contar o dinheiro na frente das pessoas que passavam e ele me repreendeu, escondendo o rosto com a boina. Eu estou aqui tentando trabalhar e se tenho que dar dinheiro por não ser cadastrado não vou fazer nada escondido. Todo mundo vai saber que eles são ladrões. Não tenho medo de milícia nem de polícia”, disse V., 52 anos.

Domingo passado, C., 28 anos, também foi ameaçado. “Dois homens passaram em um Gol e disseram para eu meter o pé, que o ponto agora era deles. Eles falaram que eram da prefeitura e que eu era clandestino, mas fizeram ameaças. Como sou conhecido aqui e cuido dos carros há mais de cinco anos, chamei um amigo policial que estava na praia e eles desistiram de me importunar. Eu chego às 7h e era mais de 10h quando eles apareceram. Pediram dinheiro para me deixar ficar, mas o que eu ganho mal dá para a minha família”, contou o flanelinha.

De acordo com as denúncias, pelo menos 10 guardadores de associações,
cooperativas e ao sindicato da categoria foram pressionados a deixar seus pontos nas últimas semanas. Para cuidar dessas 250 vagas, milicianos estariam colocando flanelinhas de sua confiança para arrecadar dinheiro dos motoristas. Os que se recusavam a abandonar o ponto eram obrigados a pagar entre R$ 40 e R$ 60 a homens armados.

Flanelinhas lucram com praia cheia

Depois de mais de 40 minutos procurando vaga, a técnica de segurança do trabalho Ana Paula Pimentel, 38 anos, deixou o carro em um terreno, com flanelinha não cadastrado pela prefeitura. Ela teve que pagar R$ 5, sem garantias de que iria voltar e encontrar o carro onde deixou.

“O Choque de Ordem e a fiscalização estão aí. Sei que meu carro pode ser rebocado, mas estou chegando tarde à praia e não há mais vagas. Agora é torcer para não acontecer nada”, disse.

Na orla, a maioria dos veículos estacionados estava com tíquete no parabrisa. Segundo os guardadores cadastrados pela CET-Rio, fiscais circulam a todo tempo distribuindo novos talonários e reclamam se encontram carros sem identificação do pagamento.

Fonte: O Dia



 
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