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Negligência de madrasta e pai em afogamento

30-12-2009

Menino ajudava a empurrar carros enguiçados em rua alagada da Piedade por dinheiro

Rio - A madrasta e o pai do menino de 9 anos que morreu afogado ao cair em um bueiro segunda-feira à noite, na Piedade, deverão responder por negligência. Segundo o titular da 24ª DP (Piedade), Sérgio Lomba, o garoto brincava nos bolsões de água da chuva e ajudava a empurrar carros enguiçados em troca de dinheiro. Amigos contaram que ele já havia conseguido R$ 15 auxiliando motoristas ilhados.

Foto: Benjamim Reis

Matheus (sem camisa) no bolsão d’água momentos antes de morrer

O delegado afirmou que só o laudo cadavérico, previsto para daqui a 30 dias, poderá dizer a causa da morte de Matheus Martins Cerqueira. A polícia trabalha com as hipóteses de afogamento, atropelamento por ônibus e choque elétrico. “Qualquer que tenha sido a causa da morte, os pais tiveram responsabilidade. Foram negligentes ao deixar o menino brincar sabendo que havia risco”, disse Sérgio Lomba, sobre a madrasta, Cleidemar Coutinho, e o pai de Matheus, Mário Cerqueira.

A família do menino está com dificuldade para conseguir o dinheiro para pagar o enterro de Matheus, marcado para as 10h de hoje, no São Francisco Xavier, no Caju. “Os parentes se uniram e cada um ajudou como pôde, mas não deu tempo de apresentar todos os documentos para enterrar hoje (ontem). Estamos arrasados, e os irmãos dele não param de chorar”, contou uma prima de Matheus, Tainá.

BUEIROS SEM TAMPAS

Moradores da Rua Clarimundo de Melo, onde ocorreu a tragédia, contaram ainda que é costume na região moradores retirarem a tampa dos bueiros da rua para ajudar a escoar a água da chuva. Isso pode ter sido fatal para Matheus.

Em nota, a Secretaria Municipal de Obras admitiu que o sistema de drenagem da Rua Clarimundo de Melo é antigo, mas não soube dizer se os bueiros estavam obstruídos. A orientação da secretaria é para que os moradores não retirem as tampas dos bueiros por causa do risco de acidentes.

O delegado pede que testemunhas do acidente o procurem na delegacia para ajudar na investigação.

Segundo parentes, rua vira piscina em 5 minutos de chuva

Parentes do menino disseram que as crianças da comunidade da Caixa D’água, na Piedade, costumam brincar na água da chuva, porque a região alaga rapidamente sempre que chove. “Bastam 5 minutos de chuva para que a rua vire uma piscina. É preciso acabar com isso rápido”, pediu uma prima de Matheus.

Vizinhos disseram que, quando os ônibus passam pelas ruas alagadas, provocam grandes ondas. Uma das hipóteses para morte do menino é que ele tenha sido arrastado por uma onda para o bueiro.

Em nota, a Secretaria de Obras diz que as galerias de águas pluviais da R. Clarimundo de Melo são limpas regularmente e que está investindo em redes de drenagem em toda a cidade para evitar os alagamentos.

Fonte: O Dia



 
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