O Colonizador
A qualidade da madeira chamada pau-brasil encontrada no litoral, do que é hoje, o estado do Rio de Janeiro, provocou a cobiça de muitos piratas ingleses, franceses e holandeses. Quando os franceses foram expulsos do Rio de Janeiro se refugiaram em Cabo Frio.
Para garantir a posse das terras brasileiras, os portugueses ocuparam as terras com povoações. Assim, em 1615 fundaram as povoações de Santa Helena - hoje Cabo Frio - e criaram a Sesmaria de Campos Novos, na margem direita do rio São João.
No ano seguinte mais duas sesmarias foram criadas, uma no rio Macaé e outra na foz do rio São João. Para esta última foram muitos colonos da Sesmaria de Campos Novos e lá construíram a capela de São João Batista, dando origem a um povoado sem muito desenvolvimento, conhecido por Barra de São João.
As primeiras notícias sobre a área onde hoje se situa o Município de Casimiro de Abreu datam do princípio do século XVIII, quando, de uma antiga aldeia dos índios Guarulhos, descendente dos Goitacás, foram aldeados em um lugar conhecido por Aldeia Velha pelos padres capuchinhos alianos ( um ramo de franciscanos), liderados pelo padre Francisco Maria Talli. Em pouco tempo essa aldeia foi mudada para o Rio São João de Ipuca, onde foi erguida uma capela dedicada à Sagrada Família e concluída por volta de 1748. Logo, em 1761, a aldeia foi promovida a freguesia do distrito de Cabo Frio com o nome de Sacra Família do Rio São João de Ipuca.
A ocorrência de freqüentes epidemias naquela localidade fez com que a sede da freguesia fosse transferida para a foz do rio São João, tendo sido, em 31 de agosto de 1843, aprovada a demarcação dos limites da povoação de Barra de São João.
O desenvolvimento aí verificado determinou, em 19 de maio de 1846, a criação do Município de Barra de São João, cujo território foi desmembrado do Município de Macaé, tendo sido o arraial de Barra de São João elevado à categoria de vila, mas só treze anos mais tarde é que foram instaladas a Câmara e a Cadeia (1859).
A Aldeia
A economia desenvolvida era principalmente a da extração da madeira e na mesma proporção do desmatamento novas fazendas iam se estabelecendo e os primitivos habitantes desaparecendo, mesmo os aldeados fugiram da má administração do capitão-mor. A aldeia tornou-se assim uma povoação de brasileiros e portugueses.
A aldeia abandonada e a igreja da Sagrada Família em ruínas, a sede da freguesia da Sagrada Família do rio São João de Ipuca foi transferida para a foz do rio São João e a Capela de São João Batista elevada à categoria de paróquia. O momento de transição por que passava o país, favorecia aos aproveitadores. Com a chegada de D João VI, fidalgos da corte eram premiados com terras doadas em sesmarias.
Naquele período predominava a pequena propriedade, cuja atividade econômica era a produção de alimentos, a extração de madeira e a pecuária com reduzido uso de mão de obra escrava ( cinco ou seis escravos por família).
Sendo assim as relações escravo/ senhor, eram mais estreitas, menos conflitantes, onde os escravos ficavam mais íntimos de seus senhores.
A Vila
A área rural era povoada por várias fazendas que se dedicavam a cultura de café, mas não eram tão bem cuidadas como os cafezais paulistas.
A mão de obra empregada nas fazendas de café e cana-de-açúcar no Brasil, era quase exclusivamente de escravos, havendo também um número reduzido de colonos de parceria de origem estrangeira.
Cultivava-se na baixada o arroz, milho, feijão, mandioca e cana de açúcar, tendo alguns engenhos bem próximos à Vila. A área rural era povoada por várias fazendas, que se dedicavam a cultura de café, mas não eram tão bem cuidadas como os cafezais paulistas.
Entre os anos de 1840 e 1851 a exportação do café dobrou em volume, em detrimento da produção de outros produtos alimentícios, o que obrigou o país a importar milho, feijão e arroz.
Durante todo este período, a estrutura econômica municipal esteve baseada na agricultura, que entretanto, iniciou acentuado declínio a partir de 1888 com a libertação dos escravos.
Tudo que produziam na região eram despachados pelo porto de Barra de São João para o Rio de Janeiro e daí para Portugal. Por esta razão o porto de Barra de São João se transformou em um grande centro de pessoas, mercadorias e dinheiro, ate que em 1890 foi elevada a cidade.
A Cidade
A vida em Barra de São João caminhava ao lado do progresso. Com o comércio crescente, se desenvolviam ainda melhor as atividade culturais e sociais como teatro, jornais e as festas populares.
Entre os elementos geradores de riqueza estavam as vias de comunicação ligando a cidade ao Rio de Janeiro, escoando a produção do município através da estrada de ferro e do porto.
A ferrovia concorria com os portos pois transportava com maior eficiência e rapidez os produtos para o grande centro. Curioso é que junto as estações, como antes juntos as igrejas, foram surgindo povoações e entre elas destacava-se Indaiaçu. Com isso as estruturas econômicas e sociais da cidade de Barra de São João foram afetadas.
O Município
Daí até 1925 a sede do município foi constantemente deslocada, ora para Indaiaçú, ora para Barra de S.João, até que o então prefeito Alpheu Marchon transferiu definitivamente a sede do município para Indaiaçu, que passou a ser conhecida como Casimiro de Abreu.
Alpheu Osório de Souza Marchon, filho de fazendeiro rico e influente, morador de Barra de São João, quando eleito a prefeito em 1925 transferiu, em "lombo de burro" a prefeitura para Indaiaçu, que não tinha mais de uma dúzia de casas, uma estação ferroviária, um hotel para viajantes, algumas poucas casas de comércio e ruas sem calçamento. Marchon soube vislumbrar o progresso que viria a ter Indaiaçu devido ao movimento comercial oferecido e facilitado pela estrada de ferro. O único sobrado então pertencia a portugueses, que para construí-lo mandaram vir de Portugal até mesmo os mestres de obra.
As terras da antiga Fazenda de Indaiaçu próximas da estação, foram sendo loteadas pela prefeitura com objetivo de fixar os moradores, mas ainda há boa parte da fazenda.
A pesca no mar e rio havia sido desenvolvida desde o tempo dos jesuítas. O comércio de madeiras também continuou desde essa época. A madeira além de ser transportada em lombo de burro, descia - com várias paradas - do interior para a costa, pelo leito do Rio São João.
Com o desenvolvimento da cultura de café na parte serrana, trilhas foram abertas para esse transporte. Mais tarde as fazendas de Ipuca e Horizonte cultivaram a laranja e a fazenda de Indaiaçu ocupou-se com o cultivo do milho e da cana.